Edimburgo, a cidade esculpida pela história (Parte 2)

por 2serependiters
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Um facto extremamente curioso da cidade de Edimburgo é possuir dois grandes eixos históricos, contrariamente ao padrão mais comum na maioria das cidades europeias em que existe apenas um eixo que historicamente congregava os edifícios mais importantes. Tudo isto contribui para que a cidade tenha mais vida e acima de tudo, permite a diversificação arquitectónica e cultural dos edifícios, tornando a visita para qualquer turista muito mais fascinante.

Na primeira parte do nosso roteiro explorámos a Royal Mile, que constitui o eixo histórico mais antigo da cidade de Edimburgo, sendo uma das principais atracções turísticas da cidade. Nesta segunda parte exploramos então o outro eixo, mais disperso, mas ainda assim cheio de locais fantásticos e com as melhores vistas panorâmicas que é possível conseguir em Edimburgo. Queremos ainda dar um destaque para a simpatia extrema dos escoceses, sempre disponíveis para ajudar e para dar conselhos que possam ajudar os turistas.

Tivemos também a sorte de poder fazer esta viagem em Dezembro, já perto da quadra de natal, o que deu à cidade um brilho diferente que muito dificilmente conseguimos captar com as nossas fotos, mas que reforça ainda mais o sentimento de estarmos dentro de uma cidade de um conto de fadas. Iremos então nesta última parte do roteiro por Edimburgo dar também algum destaque ao mercado de Natal.

Vamos continuar a desvendar as surpresas escondidas nesta cidade de postal!

Edimburgo

Calton Hill

Nada é sem um par e em Edimburgo até para os montes da cidade isso é verdade. No extremo oposto do Castelo de Edimburgo mas numa localização igualmente central encontra-se Calton Hill. A história deste local é tão antiga como a da própria cidade e pensa-se que ali tenha existido um pequeno castelo durante vários séculos. Entre os séculos XV e XVI, era naquele local que os membros da corte escocesa realizavam torneios de caça e de tiro com arco. Nos séculos seguintes, a história de Calton Hill está muito ligada a disputas entre famílias abastadas e a própria expansão dos negócios familiares . Foi já no final do século XVIII e XIX que foram construídos a maioria dos edifícios que hoje marcam este ponto alto de Edimburgo.

O nosso ponto de partida foi o palácio de Holyrood e para chegarmos a Calton Hill tivemos de subir bastante. No entanto, este percurso nunca se torna banal ou desinteressante porque grande parte dele é feito pelas pequenas ruas que atravessam os vários cemitérios e igrejas que povoam a parte mais baixa da cidade. Não se assustem com a parte dos cemitérios, porque no caso de Edimburgo, falamos de verdadeiros jardins que funcionam como janelas para a história da cidade e onde é possível encontrar várias estátuas e memoriais de escoceses famosos.

Antes de chegar a Calton Hill passámos ainda por vários locais bastante interessantes como o edifício de St. Andrews. Este edifício no estilo Art Deco (Um dos poucos de Edimburgo) é actualmente a sede do governo escocês, mas naquele local existiu durante vários séculos a principal prisão da cidade. Continuamos a percorrer as ruas calmas desta zona da cidade e conseguimos daqui ter já uma vista fantástica da cidade. Passados alguns minutos, chegamos finalmente a uma das principais entradas do monte de Calton Hill, que mais não é do que uma pequenina escada movimentada por entre um arvoredo denso que preenche a base do monte.

Daqui avista-se já a torre de Nelson, o monumento mais alto de Calton Hill. Esta torre foi construída no início do século XIX em homenagem ao almirante Horatio Nelson, pela sua vitória na batalha de Trafalgar alguns anos antes. Ficámos impressionados com a altura da torre e com os trabalhados na entrada e em algumas janelas. Geralmente é possível subir à torre e conseguir uma das melhores vistas da cidade, mas no dia em que visitámos não eram permitidas visitas.

Outro dos monumentos de Calton Hill é o monumento nacional da Escócia, uma construção em estilo clássico que se assemelha em tudo a um fórum grego ou a alguns templos romanos. Foi também construído no século XIX em homenagem aos soldados mortos nas guerras napoleónicas. Destacamos sobretudo a dimensão do monumento, muito maior do que esperávamos!! Passando pelo observatório astronómico, outro dos edifícios neste monte verdejante, chegamos então junto do monumento a Dugald Stewart. Este monumento circular com pilares altos é possivelmente um dos mais conhecidos da cidade de Edimburgo, precisamente por ser pano de fundo de uma vista magnífica para o centro da cidade. Daqui avistamos o mercado de natal junto a Princes Street, o castelo de Edimburgo lá ao fundo e toda a zona de Haymarket, numa conjugação perfeita e que não se traduz muito facilmente palavras. Será certamente um dos momentos desta viagem que nunca vamos esquecer.

Greyfriars Bobby

Se como nós adoram animais, este local é ponto de passagem obrigatório. Mesmo para quem não tem aquela ligação especial com os amigos de quatro patas, aconselhamos totalmente a que passem por este local porque entendemos que há coisas que transcendem os gostos e que são sempre louváveis. Greyfriars foi um cão da raça Skye Terrier que passou 14 anos junto à sepultura do seu dono, tendo acabado por falecer em 1872.

No mesmo ano foi elaborada uma estátua em homenagem a este amigo fiel e colocada no topo de uma fonte pública que funcionou até 1975. A estátua foi restaurada em 1985 e permanece desde então num pedestal onde se pode ler “Que a sua lealdade e devoção sejam um lição para todos”. Este local marcou-nos bastante e é tradição por parte de todos os nativos e turistas de tocarem no nariz do bobby. Destacamos também o pub mesmo em frente à estátua e com um estilo tipicamente inglês, tendo exactamenteo mesmo nome “Greyfiards Bobby”.

Museu nacional da Escócia

Já realçámos várias vezes a enorme oferta cultural da cidade de Edimburgo, com ruas cheias de galerias de arte e várias actividades de rua. Uma das melhores maneiras de absorver e conhecer todo este conteúdo cultural é com uma visita ao museu nacional da Escócia. A história deste museu remonta ao final do século XVIII, altura em que foi criado como repositório de peças históricas escocesas. Ao longo dos séculos seguintes a colecção do museu foi aumentando por via de junções com outros museus entretanto criados. O ponto mais importante na história deste museu deu-se com a construção da galeria real em 1861, seguindo um estilo arquitectónico italiano e que contrastava com o estilo neo-industrial do interior.

Chegámos ao museu a meio da manhã e ficámos um bom bocado a olhar fixamente para toda a sua fachada, muito interessante do ponto de vista arquitectónico. Actualmente o museu está divido entre dois grandes edifícios: A galeria real de que falámos, e que constitui o ponto central do museu e o novo edifício, em estilo moderno, construído aquando da expansão mais recente do museu. O mais impressionante de tudo é que apesar da entrada neste museu ser totalmente gratuita, não existia qualquer fila. Ainda assim, quisemos deixar uma doação ao museu porque entendemos que desempenha um papel crucial na divulgação científica e histórica na comunidade. Assim que entrámos damos por nós na famosa galeria central, um local espectacular e que merece certamente várias fotos na tentativa de captar o melhor ângulo desta estrutura fantástica. O museu está dividido em várias áreas de interesse: Vida animal, História da Escócia, ciência, arte e cultura. Infelizmente o tempo que tínhamos disponível não nos permitiu ver todas as secções mas as que visitámos foram mesmo muito boas, sobretudo pela interactividade que todas as exposições do museu têm, com vários desafios para o visitante e possibilidades de participação em experiências.

Edimburgo - Museu Nacional

Cockburn street – Waverley – Princes Street – New Town

A beleza da cidade de Edimburgo faz com que cada rua seja uma perdição e de certa maneira, um pequeno postal a descobrir e apreciar. Toda a zona que vai da Royal Mile até ao eixo histórico da Princes Street convida a umas boas horas de descoberta e foi então o que fizemos. Aproximadamente a meio da Royal Mile, parte aquela que é uma das ruas mais fotogénicas da cidade. A cockburn street destaca-se sobretudo pela sucessão de pequenas lojas com montras coloridas de madeira, tudo isto numa rua com os tradicionais edifícios em pedra o que contribui para que esta seja possivelmente uma das ruas onde nos sentimos mais deslumbrados e onde o espírito escocês nos preencheu totalmente.

Descendo pela Cockburn street estamos agora junto à principal estação de comboios de Edimburgo, a estação de Waverley. É daqui que se tem um dos panoramas mais interessantes da cidade, com vista para a zona da Princes street e sobretudo para o conjunto de edifícios junto ao hotel Balmoral. Esta zona constitui um dos principais aglomerados de edifícios em estilo Vitoriano e quando os autocarros vermelhos estão na posição certa, as semelhanças com a cidade de Londres são mais que muitas. Sem qualquer dúvida um daqueles locais para parar e absorver o que vemos com os nossos olhos. Por fim, uma pequena curiosidade, é que o relógio da torre do hotel Balmoral está 3 minutos adiantado desde 1902, tudo isto para que as pessoas não percam o seu comboio!

Chegamos por fim à famosa Princes Street, uma das artérias históricas da cidade de Edimburgo. Esta rua é a principal de toda uma área que constitui a nova cidade, assim chamada por ter sido construída de raiz no final do século XVIII, num estilo neo-clássico e seguindo uma disposição geométrica de todas as ruas, um pouco como aquela que vemos na zona da baixa pombalina, em Lisboa. A construção desta zona acabou por ser feita em várias fases o que levou a que esta rua tenha uma miríade de estilos arquitectónicos distintos, mas sem serem contrastantes e com uma beleza incrível.

É também na Princes Street que se encontra o Scott Monument, uma torre vitoriana em homenagem ao autor Walter Scott e certamente um dos monumentos mais emblemáticos da cidade. É possível subir ao topo do Scott Monument mas a subida é paga e achámos que não se justificaria este gasto uma vez que existem vários outros locais gratuitos que já referimos e onde se conseguem vistas igualmente belas da cidade.

Aconselhamos também a que explorem as restantes ruas na zona da New Town, paralelas à Princes Street. É aqui que se encontram as lojas mais famosas e os clubes privados mais antigos da cidade. Vale a pena percorrer estas ruas típicas e parar um pouco numa das várias praças de grande dimensão que se encontram entre a Princes Street e a Queen Street.

Mercado de Natal de Edimburgo

Esta é uma experiência que apesar de estar limitada a uma altura muito específica do ano, merece sem qualquer dúvida um ponto no nosso roteiro. A maioria das cidades europeias ganha outra magia na altura do natal e isso certamente é também verdadeiro para a cidade de Edimburgo. Ainda assim, o natal nesta cidade tem uma importância ainda maior do que aquelas que poderíamos imaginar.

Edimburgo - Mercado de Natal

O mercado de natal de Edimburgo realiza-se normalmente na Princes street, na zona dos Princes street gardens que fica mais próxima da estação de Waverley. Este é frequentemente considerado um dos melhores mercados de natal da Europa por várias publicações de viagens. A entrada é gratuita e já tínhamos tentado entrar no mercado durante o fim de semana mas foi absolutamente impossível. Durante a semana voltámos a tentar e estava tudo bastante mais calmo! Aqui encontrámos bancas de vários locais do mundo, vendendo brinquedos, cachecóis, artesanato, chocolates… O melhor de tudo eram as dezenas de locais para provar iguarias várias que vão desde a local sandes de salmão fumado ou de haggis, até às salsichas alemãs, passando pelos crepes franceses. Existe também uma zona com vários carrosséis e uma roda gigante de onde se avista todo o centro da cidade.

Com este artigo terminamos o nosso roteiro por Edimburgo, uma cidade que nos encantou e à qual temos a certeza de vamos voltar num futuro próximo. Ainda assim, não abandonamos já a Escócia por no próximo e último artigo sobre este país, vamos até às famosas Highlands Escocesas.

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