Candal, o tesouro entre os caminhos da Lousã

por 2serependiters
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Sermos portugueses significa também que temos orgulho nos nossos costumes, história e tradição, ou não conseguindo objectivar ou conhecer o nosso passado e a nossa essência, pelo menos identificar-se também com a noção de portugalidade que existe na nossa comunidade. Por nos identificarmos muito com este orgulho no que é ser português, procuramos sempre descobrir e conhecer mais do nosso país, sobretudo aqueles locais menos falados ou que frequentemente são ofuscados por outras referências regionais (Podem ler sobre a nossa visita a Marialva aqui). O Candal é um desses casos.

O nosso destino para uma escapadinha de fim de semana foi a magnífica Serra da Lousã e a rota das aldeias do Xisto. Percorremos estradas centenárias, onde nos cruzámos com uma natureza envolvente e intocável. Cada quilómetro percorrido acaba por ser uma contemplação e uma memória viva do quão belo pode ser o nosso património natural e histórico. Visitámos várias aldeias de xisto, sobretudo na Serra da Lousã, mas neste artigo escolhemos contar-vos sobre a aldeia de Candal.

História da aldeia

As evidências de ocupação e actividade Humana nesta região da Serra da Lousã têm já várias centenas de anos, no entanto, no caso do Candal, há registos que apontam que a ocupação permanente se iniciou no final do século XVII. Aqui o principal foco de actividade terá sido desde sempre a pastorícia e a utilização de recursos florestais, no entanto, a origem do seu nome vem mesmo da resiliência humana e da obstinação daqueles que não se demoveram com as adversidades do terreno e que aqui se fixaram. Assim, Candal vem da expressão “Cantar a pedra” e é fácil percebermos o porquê assim que avistamos com os nossos olhos este local mágico.

Visitar o Candal

Há medida que vamos percorrendo a variante da estrada nacional 236, mantemos uma expectativa que se vai desenvolvendo a cada minuto. A vegetação sobretudo autóctone e com numerosas árvores caducifólias fazem desta estrada um caminho quase mágico que resembla os postais que por vezes vimos e que apenas imaginamos existirem num qualquer local desconhecido. Quando finalmente descemos mais um pouco na serra da Lousã, algumas aberturas entre a vegetação permitem-nos vislumbrar um aglomerado de casas que se dispõe numa colina abrupta. É um local magnífico, é finalmente a aldeia do Candal!

Atravessada de forma perpendicular por dois grandes eixos, a estrada nacional e a ribeira de São João, esta aldeia foi crescendo em dois grandes aglomerados, privilegiando sempre uma posição favorável de acessos e de luminosidade. Iniciamos a nossa descoberta pelo edificado através de uma pequena rua que liga os dois lados da aldeia. Imediatamente ficámos fascinados com a integração dos cursos de água na vida da aldeia e com os pequenos riachos que se encaixam  entre as casas de xisto e onde podemos até encontrar uma piscina criada em pedra.

Há medida que vamos subindo as ruas da aldeia, o cheiro a roupa lavada mistura-se com o cheiro a campo e natureza. A maioria das casas são integralmente em xisto, mantendo as tradicionais janelas e portas de madeira colorida onde ocasionalmente se encontra alguém a ver o que se passa. Dizem-nos “Boa Tarde” e sorriem, sempre de forma simpática e ao mesmo tempo curiosa. Nesta aldeia, o esforço de recuperação do património é bem notável e a maioria das casas está em óptimo estado, existindo inclusive alguns pequenos hotéis e alojamentos locais que atraem muitos visitantes à aldeia.

Continuamos a subida íngreme mas o esforço vale totalmente a pena, pois cada recanto é uma viagem no tempo e nas tradições. Num pequeno parque com uma mesa em Xisto encontramos uma pedra onde se pode ler “Todos os visitantes são bem-vindos”. É exactamente isto que vamos sentindo a cada degrau de pedra até ao topo desta aldeia. Algo constante em cada zona que vamos explorando é a presença da água e são visíveis as antigas mós que ajudariam a fazer a farinha com se produzia o pão serrano.

Quando a subida termina e chegamos ao topo da aldeia a vista é magnífica. Daqui vislumbramos todo o edificado, perfeitamente enquadrado na encosta e rodeado de uma floresta rica e que forma uma mancha verde que preenche as serras que se avistam daqui. Também o cheiro inconfundível a natureza, comida típica e roupa branca, parece acentuar-se neste local cimeiro. De certa maneira, sentimos-nos no topo do Mundo, mas neste caso, também no topo de muitas histórias e de um património centenário, que nos relembra permanentemente da riqueza da Portugalidade e do quão especial é esta região do nosso País.

A descida é feita por outras ruas e mesmo assim, há sempre novos recantos para explorar nesta aldeia de xisto. Muitos dizem que o Candal é a mais desenvolvida das aldeias de Xisto, mas para nós, o que realmente marca este local é a multiplicidade de ruas, terraços, caminhos e pátios a explorar. Aconselhamos também a que visitem a loja do Candal, onde é possível adquirir vários produtos produzidos na aldeia e na serra da Lousã e descobrir um pouco mais acerca das tradições que marcaram e continuam a marcar este recanto histórico.

Por fim, uma nota positiva também para os vários estabelecimentos de alojamento local que recuperaram muitas casas que estavam em risco de ruína ou abandonadas e que permitem não só dinamizar a aldeia, como atrair mais visitantes e contribuir para a valorização de todo este património.

Visitar esta aldeia foi uma experiência verdadeiramente fantástica e deixou-nos totalmente apaixonados pela rota das aldeias de Xisto. Chegar ao Candal depois de percorrer as estradas da serra da Lousã é o final perfeito para um percurso de história, descoberta e contemplação, numa viagem rica e que permite verdadeiramente descobrir elementos patrimoniais que marcaram a nossa história e que tão bem reflectem as tradições portuguesas. Não podíamos aconselhar mais, não só o Candal, mas também as restantes aldeias de Xisto e a própria Serra da Lousã.

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