Visitar Cracóvia, história e contos de fadas lado a lado (Parte 2)

por 2serependiters
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Tal como toda a Polónia, a cidade de Cracóvia é um binómio vivo de duas grandes realidades bem vincadas. Por um lado, vive a cidade do passado grandioso, dos Reis e palácios, das histórias e lendas, da riqueza e desenvolvimento, ou seja, aquela cidade que preenche postais e que nos convida a tirar centenas de fotos. Por outro lado temos a cidade que guarda as suas marcas de sofrimento, das sucessivas invasões, da guerra e de todas as atrocidades que ali foram cometidas.

Nesta segunda parte do nosso roteiro fazemos a ponte entre essas duas identidades e exploramos todo o potencial que esta cidade magnífica nos pode oferecer. Ficamos ainda com a certeza que de haverão muito poucas cidades no Mundo que tenham conseguido manter a sua história tão bem conservada e tão acessível a todos aqueles que a pretendam conhecer melhor.

Roteiro por Cracóvia

Complexo do Castelo de Wavel (Zamek Królewski na Wawelu)

Num dos pontos mais altos da cidade de Cracóvia encontra-se o castelo de Wavel, também frequentemente chamado de castelo Real de Cracóvia. Integrante também da lista de monumentos classificados como património da UNESCO, a história do monte Wavel já se escreve desde os primeiros agrupamentos de humanos.

A sua construção foi ordenada pelo Rei Sigismundo I no século XVI, tendo para tal convidado os melhores artistas e arquitectos Italianos que o Mundo conhecia na altura. O dinheiro para a construção de uma obra tão grandiosa foi sobretudo proveniente da exportação do sal que era extraído das minas de Wieliczka (Das quais falaremos no próximo post). Um ponto interessante sobre o castelo e que nos saltou imediatamente à vista é que as várias alas têm estilos arquitectónicos diferentes.

De facto, aqui encontramos construções no estilo medieval, barroco e neoclássico e a razão desta miríade arquitectónica prende-se com as sucessivas invasões deste castelo e que obrigaram à sua reconstrução parcial várias vezes ao longo do curso da história. Ainda assim, a conjugação dos vários estilos faz deste local um sítio único e que nos ocupou boa parte da manhã. A entrada no Castelo é gratuita, no entanto, apenas é possível visitar o pátio central e alguns corredores.

No mesmo complexo do castelo encontra-se também a Catedral de Wavel, uma igreja com mais de 900 anos e que foi desde sempre o santuário de Reis e rainhas. No estilo gótico, adorámos visitar o interior, que é extremamente rico e bem adornado, mas ao qual não é possível tirar fotos. A entrada é paga e custa 7,5 zł (Aproximadamente 2€) e os bilhetes podem ser adquiridos no local ou online, através deste site.

Toda a área central do complexo está relvada e aconselhamos a que se sentem um pouco e desfrutem de toda a beleza histórica e arquitectónica do local. É também daqui que se conseguem algumas das melhores vistas da cidade, quer da cidade velha, quer da zona ribeirinha do rio Vistula.

Fábrica de Schindler/Museu da resistência de Cracóvia (Muzeum Historyczne Miasta Krakowa)

A maioria dos nossos leitores deve estar familiarizado com a história de Oskar Schindler, tão bem retratada no filme de Steven Spielberg “Schindler’s List” e com um papel magnífico de Liam Neeson. De facto, Oskar Schindler é um exemplo de humanidade e o protagonista principal de uma história gravada na história. Um homem de negócios e membro do partido nazi, é responsável por ter salvo a vida a 1200 judeus de Cracóvia, evitando que os mesmo fossem enviados para Aushwitz, onde a morte certa os esperava.

A fábrica de Schindler é hoje um museu da resistência da cidade de Cracóvia à ocupação nazi e não quisemos deixar de visitar este local. Todo o espaço pretende não só mostrar história, mas também criar sensações e emoções no visitante. Assim, a visita inicia-se com as memórias felizes de Cracóvia antes da guerra, recorrendo a um grande acervo fotográfico onde podemos ver várias fotos de famílias em festas, picnics ou simplesmente a passear alegremente.

Daí para a frente é contada a história da invasão e ocupação nazi, sempre recorrendo muito a imagens, vídeos, sons e luzes, numa experiência altamente sensorial. Destacamos alguns momentos nesta secção da visita, sobretudo a estação de comboios recriada e as salas dedicadas à resistência polaca, com todos os organogramas do governo exilado e fotos dos seus membros.

Sensivelmente a meio da visita encontra-se o escritório original de Oskar Schindler, com a sua secretária em madeira maciça e um mapa europeu em grande plano na parede por trás. A visita foca ainda o holocausto, com várias referências aos massacres e com explicações detalhadas sobre o gueto judeu de Cracóvia e o movimento de resistência judeu. Sem querer tirar o efeito surpresa, podemos garantir que o final da visita está absolutamente genial e consegue realmente criar um contraste de sensações no visitante.

O bilhete custa 24zł (Aproxidamamente 7€) e pode ser adquirido online aqui. Para chegarem à fábrica de Schindler a melhor opção é apanhar o eléctrico e sair na paragem do gueto dos heróis judeus. Sentimos sem qualquer dúvida que este é um ponto a não perder ao visitar Cracóvia, pois nesta cidade histórica, só conhecendo bem a sua história conseguimos absorver tudo o que visitamos.

Antigo quarteirão Judeu (Kazimierz)

Bem no coração da cidade encontra-se possivelmente um dos bairros mais interessantes, do ponto de vista histórico, que já visitámos. A zona de Kaziemerz constituiu durante muitos anos o principal foco da vida judaica na cidade de Cracóvia. Aqui se encontravam as maiores sinagogas, a maioria dos negócios financiados por judeus e, de forma geral, a maioria das casas das famílias judaicas.

Com a invasão e ocupação nazi, em 1941, a maioria dos judeus foi forçosamente relocada para uma zona mais a norte, que viria a constituir o gueto judeu de Cracóvia, local marcado na história pelas enormes atrocidades ali cometidas durante este período. Com a libertação soviética da cidade, o quarteirão judeu que se encontrava já praticamente abandonado, foi ainda mais negligenciado, tornando-se um local frequentemente povoado por indigentes. Foi só no final dos anos 90 que se iniciou a recuperação do património riquíssimo de Kazimierz.

Hoje em dia, existe uma rota definida que facilita a visita e que guia o turista pelo aglomerado de edifícios, nem sempre sendo fácil encontrar as antigas referência judaicas. Desta visita destacamos sobretudo a sinagoga de Hohe, não por ser a maior ou mais rica, mas sobretudo por ser aquela onde são mais visíveis as referências judaicas no exterior, estando o interior actualmente com uma livraria que definitivamente merece uma visita.

O fim do percurso definido guarda-nos a antiga zona comercial do bairro, onde hoje se encontram vários restaurantes e bares, mas que mantêm o estilo típico dos estabelecimentos da altura, com a placa em madeira anunciando o nome da loja e as grandes portadas de madeira pintada. Definitivamente merecedor de fotos e de um olhar mais atento.

Onde comer em Cracóvia

Sendo o principal destino turístico na Polónia, Cracóvia está povoada de inúmeros restaurantes de qualidade onde podemos provar os mais tradicionais pratos polacos como a sopa de cogumelos selvagens ou os famosos Pierogi. Aconselhamos a que evitem os restaurantes na praça principal da cidade velha, não por terem qualidade inferior, mas por estarem altamente inflacionados e com longas filas de espera devido ao excesso de turistas.

A nossa escolha vai para o restaurante Pod Wavelem (Página do Tripadvisor), que fica perto do castelo de Wavel. Aqui encontrámos um espaço verdadeiramente incrível, com um ambiente animado e música ao vivo. Todos os pratos são da cozinha tradicional polaca e são servidos por empregados com os trajes tradicionais.

O melhor de tudo? O Preço! Este será possivelmente um dos restaurantes em Cracóvia com melhor relação qualidade/preço, sendo a prova disso os nosso jantares para duas pessoas, com sopas, pratos principais, cerveja polaca e sobremesa nunca excederem os 20€ para os dois!

Com este post encerramos o nosso roteiro pela cidade de Cracóvia com a certeza de que esta foi uma das cidades mais ricas em património cultural que já visitámos. No próximo capítulo vamos explorar famosas minas do sal de Wieliczka e o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

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1 Comentário

Carlos Duarte Fevereiro 3, 2019 - 3:14 pm

Interessante

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